Atlas de Aparições
Ícone geral: Aparição feminina

Porto Alegre · RS · Gruta, memória comunitária e escolas

Maria Degolada / Maria da Conceição

A história

Maria Degolada convive no imaginário de Porto Alegre como assombração, santa popular e milagreira. Em versões escolares, sua aparição é chamada pela repetição do nome. Na comunidade, Maria da Conceição recebe pedidos de proteção e agradecimentos por graças.

A devoção se expressa em flores, velas e oferendas. Há também a narrativa de que Maria não atende pedidos ligados a policiais, associada ao fato de seu assassino ter sido um soldado.

Versões e desdobramentos

A memória comunitária apresenta diferentes nomes, idades e histórias para Maria. Alguns moradores evitam chamá-la de Degolada e preferem Maria da Conceição; essas formas de relação não se reduzem ao medo da assombração.

Memória e contexto

Em uma experiência de educação patrimonial, visitantes de uma exposição recordaram chamar Maria Degolada nos banheiros escolares. O estudo registra a circulação dessa memória, sem identificar as escolas ou um avistamento em cada uma delas.

A personagem se relaciona ao assassinato de Maria Francelina Trenes, em 1899. A leitura do processo criminal feita em pesquisa de ensino de História problematiza a atribuição de prostituição: o documento analisado não a declara. Esse resultado exige atribuição cuidadosa, sem encerrar toda a biografia da vítima.

Uma análise posterior da imprensa e da lenda utiliza a imagem de santa prostituta. A ficha a trata como representação presente nas fontes, preservando a divergência com a leitura documental e sem adotar a classificação como biografia comprovada.

O roteiro Marias Degoladas reúne devoção, violência de gênero e transformações da personagem. É utilizado como texto publicado, sem afirmar que o áudio tenha sido escutado nesta etapa.

Época referidaCrime documentado em 1899; narrativas e práticas de devoção e invocação de diferentes épocas.

Notas e referências

  1. Andriolli Costa (2018), As muitas faces de Maria. A apuração distingue as imagens da personagem da trajetória documentada de Maria Francelina Trenes.

    Andriolli Costa
    Colecionador de Sacis · Publicação: 16/06/2018

    As muitas faces de Maria – O feminicídio que gerou a lenda urbana mais famosa do RS (abre em nova aba)
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  2. Carla de Moura (2019), p. 22 e 32; diário de campo de 2012 retomado no artigo. Graças e recusas são crenças registradas, não acontecimentos confirmados pelo Atlas.

    Carla de Moura
    Artigo em periódico · Coisas do Gênero: Revista de Estudos Feministas em Teologia e Religião · Ano: 2019

    Maria Degolada como feminicídio: Um exercício de análise interseccional de fontes históricas com estudantes da Vila Maria da Conceição (abre em nova aba)Voltar ao trecho
  3. Alessander Kerber (2004), p. 66–70. Entrevistas sobre memória e identidade comunitária; as afirmações espaciais do texto não foram usadas para identificar a sepultura com a gruta.

    Alessander Kerber
    Artigo em periódico · BIBLOS - Revista do Instituto de Ciências Humanas e da Informação · Ano: 2004

    O mito de Maria Degolada: estudos sobre as representações de um espaço na cidade de Porto Alegre (abre em nova aba)Voltar ao trecho
  4. Ana Carolina Martinez (2020), p. 423, PDF p. 11. Memórias manifestadas por visitantes durante a mediação da exposição.

    Ana Carolina Martinez
    Artigo em periódico · Temporalidades · Ano: 2020

    O ensino de história em educação patrimonial a partir da (re)construção de narrativas e a representatividade feminina no processo educativo (abre em nova aba)Voltar ao trecho
  5. Carla de Moura (2018), p. 82–85 e 94–95. Pesquisa que cruza processo, imprensa, memória e atividade escolar; o artigo de 2019 deriva do mesmo trabalho.

    Carla de Moura
    Dissertação · Mestrado Profissional em Ensino de História · UFRGS · Ano: 2018

    As Marias da Conceição: por um ensino de história situado, decolonial e interseccional (abre em nova aba)Voltar ao trecho
  6. Sylvie Dion (2024), p. 3–9. A formulação do artigo deve ser cotejada com Moura (2018; 2019) e com a apuração de Costa (2018).

    Sylvie Dion
    Artigo em periódico · Revista Multidisciplinar do UniSantaCruz · Ano: 2024

    O Fait divers como legendificação do real A lenda de Maria degolada, santa prostituta (abre em nova aba)Voltar ao trecho
  7. Apresentação e roteiro de Andriolli Costa; edição de Leonardo Tremeschin. A leitura foi do roteiro, sem afirmar escuta do áudio. Reúne referências sobre santidade popular e violência de gênero.

    Andriolli Costa
    Colecionador de Sacis · Publicação: 03/11/2020

    Marias Degoladas (Popularium P.1) (abre em nova aba)
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Como citar esta ficha

Referência em ABNT · NBR 6023:2025

COSTA, Andriolli de Brites da. Maria Degolada / Maria da Conceição. In: COSTA, Andriolli de Brites da. Atlas de Aparições. 2026. Ficha LF068. Disponível em: https://atlas.colecionadordesacis.com.br/fichas/lf068-maria-degolada-maria-da-conceicao/. Acesso em: [dia mês ano].

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Sobre as categorias

As categorias podem se sobrepor. Os ícones representam tipos de personagem, não retratos das aparições. Assombração e devoção popular convivem na história de Maria da Conceição. O ícone geral preserva essa diversidade; o resumo não situa explicitamente a invocação em banheiro.

Notas de pesquisa

Tradição oral recolhida. Registro de versões em publicação jornalística.

  • Delimitar a gruta no beco junto à Rua Irmã Nely; conferir separadamente crime, sepultura e escolas.

Fontes geográficas

Referência cartográfica · OpenStreetMap ↗
Geometria atual conferida; não confirma um encontro.

Lugar referido na fonte narrativa ↗
A identificação da personagem e do lugar permanece atribuída à fonte da ficha.

Gruta e acesso pela Rua Irmã Nely · Diário Gaúcho ↗
Identifica uma referência de acesso; sem convertê-la em ponto exato da gruta ou do crime.

Atualização editorial: .

Como citar o Atlas

Referência em ABNT · NBR 6023:2025

COSTA, Andriolli de Brites da. Atlas de Aparições. 2026. Disponível em: https://atlas.colecionadordesacis.com.br/. Acesso em: [dia mês ano].

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