Embarcar, viajar, descer e desaparecer não acontecem sempre na mesma ordem. Táxis, ônibus e caronas permitem observar o que cada narrador apresenta como sinal de uma presença extraordinária.
As 23 fichas que recebem a categoria Caroneira e passageira, inclusive em variantes. Há sete fichas com experiência própria narrada, seis indiretas, oito de tradição oral, um registro visual e uma ocorrência explicada. O táxi representa a entrada visual de um recorte que também inclui outros veículos e pedidos de carona.
Reportagens retrospectivas reconstituem a corrida e entrevistam pessoas ligadas à sua circulação.
Numa das versões de Curitiba, a passageira embarca na Praça Tiradentes e desaparece quando o táxi chega ao Cemitério do Abranches.
Ponto de comparação. O desaparecimento coincide com a chegada ao destino. As versões e as republicações da história não são novas corridas independentes.
Gustavo Marques · Tribuna do Paraná · 2020
Fernanda Foggiato; revisão Ricardo Marques · Câmara Municipal de Curitiba / Notícias · 2025
Um informante transmite aos Herskovits a experiência de um amigo taxista; ambos não são nomeados.
Duas jovens de rosa combinam o preço da corrida perto de um cinema. Depois de passar pelo cemitério, o motorista se vira para pedir a direção exata e encontra o carro vazio.
Ponto de comparação. Há duas passageiras e um acordo de transporte. Paramaribo situa o contexto da coleta; o cinema, o cemitério e a cidade do episódio não foram individualizados.
Melville J. Herskovits; Frances S. Herskovits · Columbia University Press, Nova York; edição digital diplomática DBNL · 1936
A taxista María Edith Rodríguez conta a própria experiência ao Noticias Caracol.
Rodríguez diz ter levado uma jovem dos arredores dos cemitérios da Autopista Norte a La Soledad, em Bogotá. Recorda frio e odor de formol e afirma que, ao chegar, viu a passageira atravessar a porta. Uma moradora teria identificado a jovem como a filha falecida.
Ponto de comparação. O relato acumula sinais sensoriais e uma identificação posterior. A fala atribuída à moradora integra a narrativa da motorista; não é uma confirmação familiar independente.
O motorista Luis Cáceres conta a própria experiência em entrevista a Alex Noguera.
Uma jovem de blusa e saia brancas embarca perto de Caaguazú num ônibus rumo a Assunção. Ela diz que procura a família. Depois de descer, ainda antes da capital, teria sumido da vista do motorista, inclusive pelo espelho.
Ponto de comparação. O desaparecimento ocorre depois do desembarque. A história não depende de um cemitério ou de alguém desaparecer dentro do veículo.
Na saída de San Antonio, duas mulheres de branco sinalizam para a camioneta em que Malena viaja. O motorista freia e desce para olhar, mas não encontram ninguém.
Ponto de comparação. Ninguém embarca. A aproximação com as caroneiras vem do gesto na beira do caminho e da procura sem resultado. As duas figuras pertencem à mesma viagem.
Sibila Vigna Vilches · Universitat de Barcelona, Departament d’Antropologia Social · 2019
Antonio Angulo relata a experiência em recolha de Carmen Pérez Montero.
Em Los Palmares, uma mulher teria entrado no Toyota de Angulo e começado a se transformar. Os acompanhantes não a viam. O narrador a identifica como Sayona e conta que uma enchente os obrigou a fugir, levando o carro.
Ponto de comparação. A transformação e a percepção desigual entre ocupantes organizam a cena. A narrativa não estabelece uma relação causal comprovada entre a figura e a enchente.
Carmen Pérez Montero · Fundación Empresas Polar, Caracas; ISBN 978-980-379-348-7 · 2014
Uma retrospectiva preserva a retificação jornalística e a explicação da passageira.
Na Estrada do Alvarenga, uma mulher deixa o carro e é tomada por fantasma. Depois, apresenta-se à polícia e explica que havia fugido por medo.
Ponto de comparação. A ausência da passageira recebeu uma interpretação sobrenatural que foi posteriormente esclarecida. Esta ficha é uma ocorrência explicada.
Alberto Nogueira · Folha de S.Paulo / Banco de Dados · 2017
Alcance desta leitura. Os 23 registros contam fichas, não viagens ou testemunhas independentes. Algumas entram por uma variante da narrativa. Os sete exemplos comentados não esgotam a diversidade do recorte; a relação completa abaixo explicita a base de cada ficha.
Explorar as 23 fichas deste recorte
A base indica o registro principal da ficha na revisão do corpus; uma ficha pode reunir mais de uma forma de relato. “Categoria em variante” informa que o motivo pertence a outra versão, sem atribuí-lo a todos os episódios. Em telas pequenas, a tabela pode ser deslizada na horizontal.
Esta leitura usa o corpus revisado em 21/10/2026: 111 fichas ativas, após o exame de 129 registros. Os recortes são entradas de estudo e podem se sobrepor. Teatros reúne cinco fichas selecionadas pelo edifício; transporte e banheiros usam as categorias já atribuídas às fichas, inclusive quando um motivo aparece em variante.
A unidade de contagem é a ficha narrativa. Uma ficha pode reunir versões, fontes e mais de uma figura. Publicações que repetem uma entrevista, duas figuras numa mesma viagem ou relatos transmitidos por colegas não são automaticamente encontros independentes. As bases do registro seguem a revisão do corpus.
As cenas comentadas são paráfrases dos registros atribuídos nas fichas. Depoimento próprio, relato indireto, tradição oral, registro visual e ocorrência explicada recebem identificações diferentes. As interpretações de cada estudo aparecem como hipóteses de leitura. Informação ausente no texto permanece não descrita; não vira prova de que algo não aconteceu.
O conjunto resulta das buscas e fontes disponíveis, com concentrações de publicações e diferenças de recolha. Seus totais não medem a frequência de crenças, a incidência de encontros nem permitem comparar países por prevalência. As imagens de entrada são fotografias fornecidas ao Atlas, com edição de nitidez, sépia e desgaste sobre toda a superfície fotográfica. Elas ilustram os territórios e não documentam as aparições.
Leitura comparativa: Atlas de Aparições · 21/10/2026. As páginas dos PDFs indicam a posição no arquivo digital; a numeração impressa e a cadeia de transmissão constam nas notas de cada ficha.